Vale dos Reis: os túmulos secretos dos faraós em Luxor, Egito
Admin Dev · 18 de setembro de 2026

Na margem oeste do rio Nilo, perto da cidade de Luxor, um vale árido e discreto abriga um dos conjuntos de sítios arqueológicos mais importantes já descobertos: o Vale dos Reis, local de sepultamento da maioria dos faraós do Novo Império egípcio, entre os séculos 16 e 11 a.C. - um período de cerca de 500 anos em que o Egito Antigo esteve em seu auge de poder e riqueza.
Por que os faraós pararam de construir pirâmides
Ao contrário do período anterior, quando faraós eram sepultados em pirâmides visíveis à distância (como as de Gizé), os governantes do Novo Império optaram por túmulos escondidos, escavados diretamente na rocha de um vale isolado e de acesso controlado - uma mudança estratégica motivada, em grande parte, pela tentativa de dificultar o saque dos tesouros funerários, já que as pirâmides, por sua visibilidade óbvia, haviam se tornado alvos praticamente garantidos de ladrões de túmulos ao longo dos séculos anteriores.
A descoberta que mudou tudo: o túmulo de Tutancâmon
O achado mais famoso do vale aconteceu em 1922, quando o arqueólogo britânico Howard Carter descobriu o túmulo do faraó Tutancâmon (KV62) praticamente intacto - um caso raríssimo, já que a esmagadora maioria dos túmulos do vale havia sido saqueada na Antiguidade. O tesouro encontrado, incluindo a icônica máscara funerária de ouro maciço do jovem faraó, se tornou uma das descobertas arqueológicas mais famosas do século 20 e desencadeou uma onda de fascínio popular pelo Egito Antigo (a chamada "Egiptomania") que influenciou moda, arquitetura e cultura popular ao redor do mundo por décadas.

Foto: لا روسا / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Mais de 60 túmulos catalogados
Desde as primeiras explorações modernas, mais de 60 túmulos e câmaras já foram identificados no vale, embora nem todos pertençam a faraós - alguns foram usados para rainhas, nobres e membros da corte. Muitos dos túmulos abertos à visitação apresentam pinturas murais extremamente bem preservadas, retratando cenas religiosas, textos funerários e representações da jornada do faraó pelo além-vida, segundo a mitologia egípcia.
Escavações que continuam até hoje
Apesar de mais de um século de pesquisa arqueológica intensiva, o Vale dos Reis continua sendo objeto de escavações ativas - a descoberta mais recente de relevância significativa foi o KV63, um câmara funerária encontrada em 2005, a primeira desde a de Tutancâmon, o que mostra que a região ainda pode reservar surpresas para arqueólogos, mesmo depois de tanto tempo de pesquisa.
O vilarejo dos construtores
Perto do Vale dos Reis, as ruínas de Deir el-Medina preservam o que já foi uma vila planejada para abrigar os artesãos, pedreiros e artistas responsáveis por escavar e decorar os túmulos reais - graças à alfabetização incomum dessa comunidade de trabalhadores especializados, milhares de registros escritos em ostraca (fragmentos de cerâmica usados como papel de rascunho) sobreviveram até hoje, e são uma das fontes mais ricas que existem sobre a vida cotidiana no Egito Antigo, incluindo relatos de salários, disputas trabalhistas e até uma greve, considerada uma das primeiras greves registradas da história.
Como visitar
O Vale dos Reis fica na margem oeste do Nilo, oposta à cidade moderna de Luxor, geralmente visitado em conjunto com outros sítios da região, como os Templos de Karnak e Luxor e o Vale das Rainhas. O ingresso padrão dá acesso a um número limitado de túmulos por vez (alguns dos mais famosos, incluindo o de Tutancâmon, exigem ingresso adicional), uma medida de conservação para reduzir o desgaste causado pela umidade e pelo grande volume de visitantes nas pinturas milenares.
