Sim, brasileiro precisa de visto para entrar no Egito como turista, mas não precisa ir a um consulado. O Brasil está na lista de países que podem tirar o visto de turismo pela internet (e-Visa) ou na chegada ao aeroporto, com permanência de 30 dias. O detalhe que mais pega viajante brasileiro de surpresa é outro: o certificado de vacinação contra a febre amarela.
Abaixo está o que conferir, na ordem em que as coisas acontecem.
1. Passaporte
O passaporte precisa ter validade mínima de seis meses a partir da data de chegada ao Egito. Essa é a regra mais citada pelas companhias aéreas no embarque, e um passaporte com validade curta pode impedir a viagem antes mesmo de sair do Brasil.
2. Visto: e-Visa ou visto na chegada
O Brasil aparece nas duas listas do governo egípcio:
- e-Visa: solicitado antes da viagem no portal oficial do governo do Egito (visa2egypt.gov.eg), para turismo ou negócios, com validade de 30 dias.
- Visto na chegada: emitido no aeroporto para quem viaja a turismo, também para 30 dias.
O e-Visa exige um pouco de planejamento, mas tira uma fila da chegada e evita surpresas se você aterrissar de madrugada. Como os procedimentos de entrada mudam com frequência, confira o portal oficial e a sua companhia aérea perto da data do embarque. O valor é cobrado em dólar e aparece no portal no momento da solicitação. Desconfie de sites que cobram "taxa de serviço" para fazer o mesmo pedido: o portal do governo é o único canal oficial.
E o carimbo grátis do Sinai?
Quem chega por Sharm el-Sheikh e fica só no sul do Sinai historicamente podia entrar com um carimbo gratuito, válido por até 15 dias, restrito à região. As fontes divergem sobre quem tem direito: a base Timatic, usada pelas companhias aéreas, aplica a regra a todas as nacionalidades, enquanto o consulado egípcio no Reino Unido a limita a cidadãos da União Europeia, do Reino Unido e dos Estados Unidos. Se o seu plano inclui sair do Sinai (para ir a Luxor ou ao Cairo, por exemplo), você vai precisar do visto comum de qualquer forma.
3. Febre amarela: a exigência que mais barra brasileiros
Segundo o CDC, o órgão de saúde pública dos Estados Unidos, o Egito exige vacina contra febre amarela de viajantes a partir de 9 meses de idade que chegam de países com risco de transmissão da doença, incluindo quem fez conexão de mais de 12 horas num desses países. O Brasil está na lista de países com risco de transmissão da Organização Mundial da Saúde.
Na prática, quem sai do Brasil deve levar o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP), emitido pela Anvisa com base no registro da vacina. A dose precisa ter sido aplicada pelo menos 10 dias antes da viagem. O passo a passo para emitir o documento está no guia do certificado de febre amarela.
Além da febre amarela, o CDC recomenda para o Egito as vacinas de rotina e avalia caso a caso hepatite A, hepatite B, febre tifoide e raiva. Para uma visão geral do continente, veja o guia de vacinas e saúde na África.

Foto: Mohammed Moussa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
4. Como chegar
Não há voo direto do Brasil para o Egito. As conexões mais comuns passam pela Europa, pelos hubs do Golfo (Doha e Dubai) ou por Casablanca, com a Royal Air Maroc, que voa direto de São Paulo para o Marrocos. Detalhamos as opções no guia de voos do Brasil para a África.
Atenção à conexão: se ela for longa e acontecer num país com risco de febre amarela, a exigência do certificado continua valendo.
5. Por onde entrar e quanto tempo ficar
O visto de turista dá 30 dias, prazo mais que suficiente para o roteiro típico de 8 a 12 dias. A dúvida mais comum é por qual cidade começar, e a resposta depende do que pesa mais na sua viagem:
- Cairo: é a porta de entrada mais óbvia, com o maior aeroporto, as pirâmides de Gizé e o Grande Museu Egípcio a poucos quilômetros. Funciona bem para quem quer começar pela história e terminar no sul ou no mar.
- Luxor ou Assuã: fazem sentido como início quando o foco é o cruzeiro no Nilo, já que os barcos fazem justamente o trecho entre as duas cidades. Em geral, chegar até elas exige uma conexão doméstica a partir do Cairo.
- Mar Vermelho (Hurghada e Sharm el-Sheikh): atraem quem quer encerrar a viagem com praia e mergulho. Lembre que o carimbo restrito ao sul do Sinai não serve se o roteiro incluir o resto do país.
Uma combinação frequente é entrar pelo Cairo, descer de avião até Luxor ou Assuã, fazer o cruzeiro e voltar ao Cairo para o voo internacional, como no roteiro clássico pelo Egito. Quem quer comparar as duas cidades do Mar Vermelho encontra os prós e contras no guia Hurghada ou Sharm el-Sheikh.
6. Ingressos dos sítios arqueológicos
Os ingressos de pirâmides, templos e museus são vendidos separadamente, e alguns lugares cobram à parte por áreas específicas, como tumbas especiais no Vale dos Reis. O Grande Museu Egípcio, em Gizé, vende entradas apenas no site oficial e com horário marcado; o funcionamento está no guia de visita do GEM.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de passaporte para ir ao Egito?
Sim. O Egito não aceita RG para brasileiros, e o passaporte precisa valer por pelo menos seis meses a partir da chegada.
Egito precisa de vacina de febre amarela?
Para quem chega do Brasil, sim: o país exige o certificado de viajantes a partir de 9 meses que vêm de países com risco de transmissão, e o Brasil está nessa lista.
Dá para tirar o visto do Egito no aeroporto?
Dá. Brasileiros estão na lista do visto na chegada para turismo, com 30 dias de permanência. O e-Visa, tirado antes, é a alternativa para evitar filas e imprevistos.
Qual a melhor época para ir?
Os meses mais frescos, de outubro a abril, concentram a alta temporada. O guia do Egito em dezembro e janeiro mostra o que esperar no auge do inverno, e o roteiro clássico ajuda a distribuir os dias.
Fontes
- Portal oficial do e-Visa do Egito
- Wikipedia - Visa policy of Egypt (listas de e-Visa, visto na chegada e carimbo do Sinai)
- CDC - Egypt: Traveler View (febre amarela e vacinas)
- OMS - Countries with risk of yellow fever transmission and countries requiring yellow fever vaccination
- Grand Egyptian Museum - site oficial de ingressos




