O roteiro clássico do Egito segue o rio: começa no Cairo, desce para Luxor e Assuã, onde ficam os grandes templos do Império Novo, e termina na costa do Mar Vermelho. A lógica é antiga. Até a década de 1870, turistas subiam o Nilo em dahabiyas, barcos a vela alugados por semanas; a agência Thomas Cook trocou-os por vapores e transformou uma viagem de três meses num passeio de 28 dias. Hoje, com voos domésticos, cabe em dez.
O roteiro em resumo
| Dias | Onde | Destaques |
|---|---|---|
| 1 a 3 | Cairo e Gizé | Pirâmides, Grande Museu Egípcio, Saqqara, Cairo islâmico |
| 4 | Voo para Luxor | Karnak e Templo de Luxor; embarque no cruzeiro |
| 5 | Margem oeste de Luxor | Vale dos Reis, Templo de Hatshepsut |
| 6 e 7 | Navegação | Edfu e Kom Ombo |
| 8 | Assuã | Philae; Abu Simbel bem cedo (opcional) |
| 9 e 10 | Mar Vermelho | Hurghada ou Marsa Alam |
Muitos cruzeiros fazem o sentido inverso, de Assuã para Luxor. Os templos são os mesmos; o que muda é a ordem e o aeroporto de chegada.
Dias 1 a 3: Cairo, Gizé e o novo museu
Os três primeiros dias cobrem as pirâmides de Gizé, o Grande Museu Egípcio, inaugurado oficialmente em 1º de novembro de 2025 com a coleção completa de Tutancâmon, e um dia em Saqqara, onde está a pirâmide de degraus de Djoser. Em outubro de 2026, a tabela oficial do Ministério do Turismo e Antiguidades cobra 700 libras egípcias de estrangeiros pela área de Gizé e 600 por Saqqara; o interior das pirâmides é pago à parte. A divisão entre os bairros e museus está no guia do Cairo.
Dias 4 e 5: Luxor, a antiga Tebas
Um voo de cerca de uma hora leva do Cairo a Luxor. Na margem leste fica Karnak, o grande complexo de templos de Amon-Rá, cuja Sala Hipostila ocupa 5 mil m². O ingresso combinado de Karnak e do Museu a Céu Aberto custa 600 libras em 2026. Uma avenida de esfinges de cerca de 2,7 quilômetros liga Karnak ao Templo de Luxor (500 libras), que vale ver no fim da tarde, com iluminação.
A margem oeste é a dos mortos. O Vale dos Reis cobra 750 libras pelo ingresso geral, e os túmulos de Tutancâmon e Seti I exigem bilhetes extras. Perto ficam o templo em terraços de Hatshepsut, em Deir el-Bahari, e a vila dos artesãos de Deir el-Medina.
Dias 6 e 7: navegando entre Edfu e Kom Ombo
Nos dias de rio, o barco para em dois templos ptolomaicos. O de Edfu, dedicado a Hórus e construído entre 237 e 57 a.C., é um dos mais bem preservados do país (550 libras). Kom Ombo, à beira d'água, tem a particularidade de ser duplo, com metade dedicada a Sobek, o deus-crocodilo; múmias de crocodilos são expostas ao lado (450 libras).
Dia 8: Assuã, Philae e Abu Simbel
Em Assuã, o templo de Ísis em Philae foi desmontado e remontado entre 1977 e 1980 na ilha de Agilkia, uns 40 metros acima do local original, para escapar das águas da represa. O ingresso custa 550 libras.
Abu Simbel fica cerca de 230 quilômetros a sudoeste de Assuã, mais ou menos 300 quilômetros por estrada, junto ao lago Nasser. Os dois templos de Ramsés II foram cortados e transferidos para um ponto mais alto numa operação coordenada pela UNESCO, concluída em 1968. A saída costuma ser de madrugada, de ônibus ou carro, ou num voo curto. O ingresso é de 750 libras, e sobe para 1.200 em 22 de fevereiro e 22 de outubro, as duas datas em que o sol nascente entra no santuário e ilumina as estátuas do fundo do templo.

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Dias 9 e 10: Mar Vermelho
Há duas portas principais. Hurghada se estende por cerca de 36 quilômetros de costa, tem aeroporto internacional e mergulhos nas ilhas Giftun e em naufrágios como o Rosalie Moller. O turismo cobrou seu preço: um estudo citado na Wikipédia aponta perda de metade dos recifes da região em três décadas. Marsa Alam, 274 quilômetros ao sul, cresceu a partir de 1995 e tem aeroporto próprio desde 2003; é mais tranquila e conhecida pelos encontros com tartarugas-verdes, golfinhos e, com sorte, dugongos.
De Luxor dá para seguir ao litoral por estrada, com motorista, ou voltar ao Cairo e voar para a costa. Na saída, há voos de Hurghada e Marsa Alam para o Cairo.
Quem preferir trocar a praia pelo deserto pode ir do Cairo ao Deserto Branco e a Siwa, opções descritas no guia do Saara.
Cruzeiro grande ou dahabiya?
Os navios convencionais do Nilo têm dezenas de cabines, piscina no deque e programação fechada de visitas. A dahabiya, o barco tradicional de dois ou mais mastros e fundo raso, cujo nome vem da palavra árabe para "ouro", leva poucos passageiros, navega mais devagar e para em pontos menos visitados. Custa mais por pessoa. Nos dois formatos, a entrada nos templos pode ou não estar incluída: confira antes de pagar.
Visto, voos e dinheiro
Brasileiros precisam de visto. O e-Visa de turismo, no portal oficial visa2egypt.gov.eg, custa US$ 30 para uma entrada e US$ 65 para múltiplas entradas em outubro de 2026, e deve ser pedido pelo menos 7 dias antes do embarque. O passaporte precisa valer seis meses a partir da chegada. Não há voo direto regular do Brasil; as conexões mais comuns passam por Istambul, Doha, Dubai, Adis Abeba ou capitais europeias. Regras de outros países do continente estão no guia de vistos para a África.
Gorjeta (baksheesh) faz parte do dia a dia: guias, motoristas e tripulação do barco contam com ela. Separe notas pequenas de libra egípcia. Mais sobre câmbio e cartões no nosso guia de dinheiro na viagem.
Perguntas frequentes
Qual a melhor época para esse roteiro?
De outubro a abril, quando o calor em Luxor e Assuã é suportável para visitar templos a céu aberto. No verão, as visitas precisam começar ao amanhecer. O Mar Vermelho funciona o ano todo; em Marsa Alam, as máximas de janeiro ficam entre 22 e 25 °C.
Posso fotografar dentro dos templos e túmulos?
Segundo a bilheteria oficial do ministério, fotografar com o celular é gratuito. Câmeras profissionais e tripés podem ter regras próprias. Dentro dos túmulos pintados, evite o flash e siga a orientação dos guardas.
Vale incluir Abu Simbel?
Se o orçamento e o cansaço permitirem, sim: é o templo mais impressionante do roteiro. A contrapartida é um dia longo, com saída de madrugada e cerca de 300 quilômetros de estrada em cada sentido, se não for de avião.
Fontes
- Egymonuments - Valley of the Kings
- Egymonuments - Abu Simbel
- Egymonuments - Karnak
- Egymonuments - Luxor Temple
- Egymonuments - Philae
- Egymonuments - Temple of Edfu
- Egymonuments - Kom Ombo Temple
- Egymonuments - Giza Plateau
- Egymonuments - Saqqara
- Visa2Egypt - FAQ do e-Visa
- Wikipedia - Grand Egyptian Museum
- Wikipedia - Abu Simbel
- Wikipedia - Philae
- Wikipedia - Karnak
- Wikipedia - Temple of Edfu
- Wikipedia - Kom Ombo
- Wikipedia - Dahabeah
- Wikipedia - Hurghada
- Wikipedia - Marsa Alam





