Com passaporte brasileiro, dá para entrar sem visto na África do Sul, no Marrocos, em Botsuana e nas Maurícias. Já no Quênia é preciso uma autorização eletrônica paga antes do embarque, na Tanzânia e em Uganda um e-Visa, e em Moçambique um visto tirado com antecedência. Em cada país a regra é diferente, e algumas mudaram em 2025 e 2026.

A tabela abaixo reúne a situação para o brasileiro com passaporte comum, viajando a turismo, nos destinos africanos mais procurados. As informações foram verificadas em outubro de 2026, nos portais oficiais e em comunicados dos governos citados nas fontes. Mesmo assim, confirme no portal oficial do país antes de comprar a passagem: as listas de isenção mudam por decreto, às vezes de um mês para o outro.

Tabela: visto para brasileiros em 16 destinos africanos

PaísSituação para brasileiros (out/2026)Custo e observaçõesOnde pedir
África do SulIsento até 90 diasPassaporte com 2 páginas em branco; CIVP de febre amarela exigido de quem sai do BrasilNão precisa pedir
MarrocosIsento até 90 diasPassaporte com 6 meses de validadeNão precisa pedir
EgitoVisto na chegada ou e-VisaUS$ 25, entrada única de 30 diasvisa2egypt.gov.eg
QuêniaETA obrigatória antes do embarqueA partir de US$ 30; análise em até 3 dias úteisetakenya.go.ke
TanzâniaVisto exigido (e-Visa)Visto de turista simples citado a US$ 50; peça com semanas de folgaeservices.immigration.go.tz
NamíbiaVisto exigido desde abril de 2025N$ 1.600 (cerca de US$ 90), na chegada ou onlineeservices.mhaiss.gov.na
BotsuanaIsentoSem taxa de visto; consta na lista de isenção da embaixada botsuanesaNão precisa pedir
ZâmbiaVisto exigido (na chegada ou e-Visa)KAZA Univisa a US$ 50 em 2026 para quem também vai ao Zimbábueevisa.zambiaimmigration.gov.zm
ZimbábueVisto na chegadaUS$ 30 entrada única; US$ 45 entrada duplaevisa.gov.zw
RuandaVisto na chegadaUS$ 50 por 30 dias, entrada únicairembo.gov.rw
Ugandae-VisaUS$ 50, entrada únicavisas.immigration.go.ug
MoçambiqueVisto exigidoO Brasil não está na lista de isenção de 2023Consulado ou evisa.gov.mz
Cabo VerdeIsento até 30 diasPré-registro EASE e Taxa de Segurança Aeroportuária obrigatóriosease.gov.cv
MauríciasIsento para turismoPermissão de visitante dada na chegadaNão precisa pedir
SeychellesSem visto, com autorização de viagemTravel Authorisation de cerca de € 10; permissão de visitante dada na chegadaseychelles.govtas.com
Madagascare-Visa ou visto na chegada€ 30 até 15 dias e € 35 até 30 dias (e-Visa, valores de fev/2026)evisamada-mg.com
Etiópiae-VisaTaxa de turista de 30 dias reduzida para US$ 62, segundo a imprensa especializadaevisa.gov.et

Os valores em dólar costumam ser cobrados em notas recentes e em bom estado quando o pagamento é na fronteira. O post sobre dinheiro e cartões na África explica esse detalhe.

Mudanças recentes que pegam o brasileiro de surpresa

Quênia: a ETA substituiu o visto

Desde janeiro de 2024, o Quênia não emite mais visto de turista. Todo visitante, inclusive o brasileiro, precisa de uma Autorização Eletrônica de Viagem (ETA) aprovada antes do embarque. Segundo as perguntas frequentes do portal oficial, a taxa normal parte de US$ 30, a análise leva em geral até três dias úteis (72 horas) e o processamento imediato custa US$ 100 a mais.

O erro mais comum é pagar mais caro em sites intermediários que imitam o portal. O endereço oficial é o etakenya.go.ke. Para quem planeja um roteiro de uma semana no Quênia, vale pedir a ETA logo depois de fechar as passagens.

Namíbia: o fim da isenção

Em julho de 2024, o governo namibiano anunciou que, a partir de 1º de abril de 2025, cidadãos de 33 países que não davam reciprocidade de isenção passariam a pagar visto. O Brasil está entre os países citados no anúncio. A ficha da embaixada namibiana nos Estados Unidos, de março de 2025, coloca o Brasil no grupo que paga N$ 1.600, cerca de US$ 90.

O visto pode ser pedido no portal eservices.mhaiss.gov.na ou emitido na chegada. A lista já foi revista mais de uma vez desde então, então confirme antes de montar a viagem de carro pela Namíbia.

Cabo Verde: EASE e taxa aeroportuária

O brasileiro entra sem visto para estadias turísticas, mas todo visitante precisa fazer o pré-registro no sistema EASE e pagar a Taxa de Segurança Aeroportuária. Pela imprensa especializada, a taxa fica em torno de 3.400 escudos cabo-verdianos (cerca de € 31) para estadias de até 30 dias.

Desde 1º de janeiro de 2026, cidadãos de 96 países perderam o visto na chegada a Cabo Verde e precisam tirá-lo em consulado. O Brasil não aparece nessa lista.

Moçambique: isenção que não vale para o Brasil

O Decreto 10/2023 isentou de visto turistas de 29 países, entre eles Portugal, Espanha, Estados Unidos e China. O Brasil ficou de fora: a lista publicada pela embaixada moçambicana no Japão cita a isenção para países da CPLP apenas com passaporte diplomático ou oficial. Quem vai ao arquipélago de Bazaruto precisa tratar do visto com o consulado moçambicano ou pelo portal de e-Visa.

Vistos regionais: dois países (ou três) em um documento

KAZA Univisa: Zâmbia e Zimbábue

O KAZA Univisa vale para a Zâmbia e o Zimbábue e permite cruzar a fronteira das Cataratas Vitória quantas vezes for preciso por até 30 dias. Ele também cobre bate-voltas a Botsuana pela fronteira de Kazungula, o que interessa a quem quer passar um dia no Parque Nacional de Chobe.

O Departamento de Imigração da Zâmbia manteve a taxa em US$ 50 a partir de 1º de janeiro de 2026. O Brasil aparece na lista de nacionalidades elegíveis. O visto é vendido nos principais postos de fronteira e aeroportos, e também como e-Visa. Como nem todo posto aceita cartão, leve o valor em dinheiro.

East Africa Tourist Visa: Quênia, Uganda e Ruanda

O visto turístico conjunto da África Oriental custa US$ 100, vale 90 dias e cobre Uganda, Quênia e Ruanda, segundo o site de imigração de Uganda. Ele não é renovável e perde a validade quando o viajante sai do bloco. O pedido deve ser feito no país de primeira entrada.

A Tanzânia não participa do acordo e exige o próprio e-Visa. Com a ETA, o Quênia passou a ter um processo próprio, então quem começa a viagem por Nairóbi deve conferir no portal queniano se o visto conjunto é aceito no seu caso. Para um roteiro de gorilas em Ruanda e Uganda sem passar pelo Quênia, o visto conjunto costuma compensar mais que dois vistos separados.

Etiópia, Egito e Madagascar: e-Visa

Na Etiópia, o pedido online no portal evisa.gov.et é o caminho mais seguro. O guia da Ethiopian Airlines lembra que o comprovante de pagamento do e-Visa sozinho não vale como aprovação. A Ethiopian é a companhia que liga São Paulo a Adis Abeba e, de lá, ao resto do continente.

No Egito, o brasileiro pode comprar o visto de US$ 25 num guichê do saguão de desembarque, antes da imigração, ou pedir o e-Visa no portal oficial. Em Madagascar, o e-Visa de até 15 dias passou de € 10 para € 30 em 16 de fevereiro de 2026. O de 30 dias continuou em € 35.

Checklist do passaporte e do pedido online

  • Validade: muitos países pedem seis meses de validade a partir da entrada. A Namíbia pede também três páginas em branco, e a África do Sul, duas.
  • Febre amarela: vários países exigem o CIVP de quem embarca no Brasil. Isso é independente do visto, e o post sobre vacinas e saúde na viagem lista quais.
  • Nome igual ao do passaporte: no formulário online, copie o nome exatamente como está na página de dados, sem acentos se o passaporte não tiver.
  • Foto no padrão: fundo claro, sem óculos nem chapéu. Fotos fora do padrão estão entre as principais causas de pedido devolvido.
  • Prazo: alguns e-Visas contam a validade a partir da emissão, não da data de entrada. Pedir cedo demais pode fazer o documento vencer antes da viagem.
  • Site oficial: os endereços da tabela terminam em domínios de governo (.go.ke, .gov.mz, .go.ug, .gov.rw e similares). Sites com nomes parecidos cobram taxa de serviço por cima.
  • Cópias: guarde o PDF da aprovação no e-mail e no celular, e leve uma versão impressa. Nem todo aeroporto tem sinal ou Wi-Fi na fila da imigração.

Fontes