Uma hora. É esse o tempo que o permit compra ao lado de uma família de gorilas-da-montanha, em Ruanda ou em Uganda. O preço dessa hora é que muda bastante: US$ 1.500 por pessoa no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda, e US$ 800 em Bwindi ou Mgahinga, em Uganda, para estrangeiros não residentes. Os dois valores foram conferidos em outubro de 2026 nas fontes oficiais, o site Visit Rwanda e a tabela da Uganda Wildlife Authority (UWA).
A espécie vive só no Maciço de Virunga, que Ruanda divide com Uganda e a República Democrática do Congo, e na floresta de Bwindi. Segundo o Rwanda Development Board (RDB), restavam cerca de 250 gorilas-da-montanha em Virunga no início dos anos 1980. Em agosto de 2026, o órgão estimava perto de 1.100 animais na natureza, e o gorila-da-montanha é o único grande primata cuja população continua crescendo.
Ruanda x Uganda lado a lado
| Ruanda | Uganda | |
|---|---|---|
| Permit de trekking (estrangeiro não residente) | US$ 1.500 por pessoa | US$ 800 por pessoa |
| Experiência de habituação (4 horas) | Não listada pelo Visit Rwanda | US$ 1.500 (só em Bwindi) |
| Parques | Parque Nacional dos Vulcões | Bwindi Impenetrável e Mgahinga |
| Ponto de partida | Sede do parque em Kinigi, às 7h | Setores de Bwindi (Buhoma, Ruhija, Rushaga, Nkuringo) e Mgahinga |
| Permits por dia | 96 no país (8 por família) | 8 por família habituada |
| Como reservar | Plataforma Irembo ou operador licenciado | Só por operador de turismo licenciado |
| Distância da capital | Kinigi fica no distrito de Musanze, no norte de Ruanda | Bwindi fica a 512 km de Kampala; Mgahinga, a 482 km |
| Visto para brasileiro | Na chegada, US$ 50 | e-Visa, US$ 50 |
Os valores de Uganda são da tabela de conservação da UWA para julho de 2024 a junho de 2026, a mais recente publicada no site do órgão quando este texto foi revisado. A própria tabela avisa que as tarifas podem mudar sem aviso prévio. Confirme o valor com o operador no momento da compra.
O que o permit inclui (e o que não inclui)
Em Uganda, a tabela da UWA informa que o permit cobre a taxa do guia, a entrada no parque naquele dia e uma contribuição para o desenvolvimento das comunidades vizinhas. Quem tem permit ganha ainda um dia de entrada grátis no Parque Nacional do Monte Elgon ou na reserva de Toro-Semliki, válido de um mês antes a um mês depois do trekking. As atividades desses parques são cobradas à parte.
Em Ruanda, o RDB destina 10% da receita dos parques nacionais às comunidades do entorno. Até agosto de 2026, segundo o órgão, foram mais de 23 bilhões de francos ruandeses (cerca de US$ 16 milhões) em quase 1.300 projetos, como escolas, postos de saúde e redes de água.
Nos dois países, ficam de fora do permit o transporte até o parque, a hospedagem, a gorjeta dos guias e o carregador. Esse último é contratado na entrada da trilha e leva a mochila na subida.
Multas em Uganda
A tabela da UWA tem duas regras que pegam viajantes desatentos:
- Remarcação tardia de permit de gorila ou chimpanzé: multa de 25% do valor do permit.
- Fazer o trekking em outro setor que não o do permit: multa de 50% do valor.
Como Bwindi tem quatro setores distantes entre si por estradas de terra, a hospedagem precisa ficar no setor do permit. Bwindi fica a 512 km de Kampala.
Como escolher entre os dois países
Orçamento. A diferença de US$ 700 por pessoa no permit pesa, ainda mais em casal ou família. Para quem quer ver os gorilas duas vezes, dois permits em Uganda custam pouco mais que um em Ruanda.
Tempo e deslocamento. Kinigi fica no norte de Ruanda, numa viagem de carro curta a partir de Kigali. Dá para chegar a Kigali, dormir perto do parque e fazer o trekking no dia seguinte. Bwindi exige mais estrada, ou um voo doméstico até uma pista próxima. Como o sul de Bwindi e Mgahinga ficam junto à fronteira com Ruanda, há roteiros que entram por Kigali e cruzam a fronteira por terra.
Habituação. Só Uganda vende a experiência de habituação: quatro horas com uma família que ainda está se acostumando à presença humana, por US$ 1.500. É a opção para quem prioriza o tempo com os animais e aceita trilhas menos previsíveis.
Outros primatas. Em Uganda, o chimpanzé em Kibale custa US$ 250, e o macaco-dourado em Mgahinga, US$ 60, segundo a mesma tabela da UWA. Em Ruanda, o Parque Nacional de Nyungwe foi o que mais cresceu em visitas em 2025, segundo o RDB, puxado por novidades como a tirolesa e o circuito de cordas.
Combinação com safári de savana. Ruanda tem o Parque Nacional de Akagera. Uganda tem Queen Elizabeth e Murchison Falls, mais distantes entre si. Quem quer savana com Big Five costuma emendar o trekking com o Quênia ou a Tanzânia.

Foto: User: (WT-shared) Cai at wts wikivoyage / Wikimedia Commons (Public domain)
Como funciona o dia do trekking
Em Ruanda, os visitantes se apresentam às 7h na sede do parque em Kinigi. Lá, os guias distribuem os grupos entre as famílias habituadas, levando em conta o preparo físico de cada pessoa. Rastreadores saem antes para localizar a família, e a caminhada até ela pode levar de menos de uma hora a boa parte do dia, conforme o lugar onde os gorilas passaram a noite.
As regras de Uganda, publicadas pela UWA, mostram o padrão seguido na região:
- idade mínima de 15 anos;
- no máximo oito visitantes por família de gorilas;
- uma hora de visita por família por dia;
- distância de 10 metros dos animais;
- proibido comer, beber ou fumar durante o rastreamento;
- sem flash nas fotos;
- quem estiver gripado ou com outra doença infecciosa não deve ir. Os gorilas pegam doenças respiratórias humanas.
Os próprios gorilas às vezes se aproximam mais que a distância mínima. Nesse caso, o guia orienta o grupo a recuar devagar.

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Preparo e equipamento
As trilhas ficam em encosta de vulcão ou floresta fechada, com lama em qualquer época. Bota impermeável com boa aderência, calça comprida, manga longa, luvas de jardinagem para se apoiar em plantas com espinhos e capa de chuva fazem diferença. O post sobre o que levar na mala tem a lista completa. A altitude das encostas vulcânicas deixa a subida mais cansativa para quem vem do nível do mar.
Para o brasileiro: visto, vacina e voos
- Visto. Ruanda dá visto na chegada a todas as nacionalidades (US$ 50 por 30 dias, entrada única). Uganda exige e-Visa (US$ 50). Para os dois, mais o Quênia, existe o East Africa Tourist Visa de US$ 100, válido por 90 dias. Os detalhes estão no post sobre vistos para a África.
- Febre amarela. Uganda exige o certificado internacional (CIVP) de todos os viajantes a partir de 1 ano, e Ruanda o exige de quem vem do Brasil, segundo o CDC. Veja o post sobre vacinas e saúde na viagem.
- Malária. O CDC lista transmissão em todo o território dos dois países e recomenda remédio preventivo. Converse com um médico antes da viagem.
- Voos. Não há voo direto do Brasil para Kigali ou Entebbe. As conexões mais usadas passam por Adis Abeba, Doha, Dubai ou Joanesburgo.
- Alertas em vigor. Em 1º de junho de 2026, o Itamaraty emitiu alerta consular sobre um surto de ebola (vírus Bundibugyo) na RDC, com casos importados em Kampala. Para as áreas afetadas, ele recomenda evitar viagens não essenciais e contato com animais silvestres, inclusive primatas. O governo britânico também pede cautela no oeste de Uganda, perto da RDC, onde houve ataques em parques nacionais. Antes de fechar o trekking, confira os alertas atualizados no post sobre segurança na África.
E a República Democrática do Congo?
O Parque Nacional de Virunga, no lado congolês do maciço, também tem famílias habituadas e já teve permits mais baratos que os de Uganda. Só que o leste da RDC vive conflito armado recorrente, e o parque já fechou ao turismo várias vezes. Antes de considerar essa opção, consulte as recomendações do Itamaraty e do governo congolês para a província de Kivu do Norte.
Perguntas frequentes
Com quanto tempo de antecedência reservar?
Ruanda emite 96 permits por dia no país todo, segundo o Visit Rwanda. Nos meses mais secos e nas férias do hemisfério norte, eles costumam acabar com bastante antecedência. Em Uganda o permit só é vendido a estrangeiros por operadores licenciados, então a reserva acompanha a do pacote. Feche o permit antes das passagens aéreas, já que ele é a parte mais difícil de conseguir.
Crianças podem fazer o trekking?
Não abaixo de 15 anos, nos dois países. Famílias com crianças mais novas podem trocar o dia de gorilas por um safári de savana, como em Akagera ou Queen Elizabeth.
Vale fazer a experiência de habituação de Uganda?
Ela dá quatro horas com os gorilas, em vez de uma, e grupos menores. Em troca, custa o mesmo que o permit ruandês, US$ 1.500, a família visitada está menos acostumada a pessoas e a caminhada é menos previsível. Faz sentido para quem tem tempo, bom preparo físico e prioriza a observação de comportamento em vez do encontro mais curto.
Fontes
- Visit Rwanda - Gorilla tracking
- Uganda Wildlife Authority - Conservation Tariff julho de 2024 a junho de 2026 (PDF)
- RDB - Rwanda prepares for the 21st Kwita Izina (agosto de 2026)
- RDB - Rwanda celebrates 21st Kwita Izina (setembro de 2026)
- RDB - Increase of gorilla permit tariffs (2017)
- Uganda Immigration - East Africa Tourist Visa
- CDC Travelers' Health - Uganda
- CDC Travelers' Health - Ruanda
- Itamaraty - Alerta consular sobre ebola na RDC e em Uganda (1/6/2026)
- GOV.UK - Uganda, segurança





