O carro sai da Cidade do Cabo, atravessa campos de trigo e só depois de umas quatro horas de N2 encontra o mar de novo, em Mossel Bay. É aí que começa a Garden Route, uma faixa de cerca de 300 km da costa sul da África do Sul que vai até a divisa de Tsitsikamma, na fronteira com o Cabo Oriental. Lagoas, floresta nativa, praias longas e montanhas ficam a poucos quilômetros umas das outras, e quase tudo se faz de carro.

A região foi incluída na rede mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO em 2017. George é a maior cidade e tem aeroporto, o que facilita começar ou terminar a viagem no meio da rota.

Quanto se dirige, de verdade

A distância engana quem olha só o mapa da Garden Route. Segundo a SANParks, o setor de Tsitsikamma do Parque Nacional Garden Route fica a cerca de 615 km da Cidade do Cabo e a 195 km de Gqeberha, a antiga Port Elizabeth. Somando, o trajeto completo pela N2 entre as duas cidades passa de 750 km.

Há uma alternativa pelo interior, a Route 62, que passa por vales de vinho e pela região de Oudtshoorn. Pela R62, a ligação entre a Cidade do Cabo e Gqeberha tem cerca de 850 km, segundo a Wikipédia. Muita gente vai por uma estrada e volta pela outra.

TrechoPerfilO que fazer
Mossel BayPorto e baíaMuseu Bartolomeu Dias, que lembra a chegada do navegador português em 1488
Wilderness e SedgefieldLagoas e praiaCaiaque, trilhas no setor Wilderness do parque nacional
KnysnaLagoa e falésiasPasseio de barco até as Knysna Heads, floresta de Knysna
Plettenberg BayPraiasPraias amplas, baleias na temporada
Tsitsikamma e Storms RiverFloresta e costa rochosaPonte suspensa na foz do Storms River, trilhas, ponte Bloukrans

Quantos dias reservar

Quatro noites é o mínimo para não passar o tempo todo dirigindo. Uma divisão comum é duas noites em Wilderness ou Knysna e duas em Plettenberg Bay, que fica a menos de uma hora de Tsitsikamma. Com seis ou sete noites dá para incluir Oudtshoorn pela Route 62 ou terminar no Parque Nacional Addo Elephant, perto de Gqeberha.

O roteiro completo, com Cidade do Cabo e Kruger, está em a África do Sul em 14 dias.

O bungee da ponte Bloukrans

A ponte Bloukrans leva a N2 sobre o rio Bloukrans, que marca a divisa entre o Cabo Ocidental e o Cabo Oriental, perto de Nature's Valley. Ela tem 451 m de comprimento, fica a 216 m acima do rio e foi inaugurada em junho de 1983. Desde 1997, a empresa Face Adrenalin opera ali o salto de bungee comercial a partir de ponte considerado o mais alto do mundo.

Ponte Bloukrans, palco do bungee jump mais alto do mundo em ponte

Foto: NJR ZA / Wikimedia Commons (Public domain)

O salto é individual, sem a opção em dupla, e a pessoa é pesada antes para ajustar a corda. Quem não vai pular pode fazer só a caminhada pela passarela sob a ponte até a plataforma central, vendida separadamente. Os preços variam por pacote e mudam com frequência. Confira no site do operador antes de ir, e desconfie de quem vende na beira da estrada.

Para comparar, o bungee da ponte das Cataratas Vitória tem 111 m. Veja o guia das Cataratas Vitória.

Tsitsikamma e a Otter Trail

O setor Tsitsikamma do Parque Nacional Garden Route é a parte mais selvagem da rota: falésias, floresta nativa e um mar que bate forte nas rochas. A caminhada até a ponte suspensa na foz do Storms River é curta e rende a foto mais conhecida do parque. Os passeios de caiaque no rio dependem do mar e do vento.

A Otter Trail, a trilha mais famosa do parque, tem 42 km em cinco dias e quatro noites, segundo a SANParks, com etapas de 4,8 a 13,8 km e pernoite em cabanas. O parque aceita caminhantes de 12 a 65 anos, as vagas por dia são poucas e as datas esgotam com muitos meses de antecedência. Quem não conseguiu vaga pode fazer trechos curtos de um dia saindo de Storms River Mouth.

Clima: chove o ano todo

A Garden Route tem clima oceânico. No inverno a temperatura raramente fica abaixo de 10 °C e no verão quase nunca passa de 28 °C. A chuva cai o ano inteiro, com um pico leve na primavera, porque os ventos úmidos do Índico batem nas serras de Outeniqua e Tsitsikamma. É essa chuva que mantém a floresta verde, e é também o motivo para ter um plano B para os dias fechados.

De junho a novembro, as baleias-francas-austrais chegam à costa sul, com mais avistamentos de Hermanus, antes do início da rota, até Plettenberg Bay. De dezembro a janeiro, as férias escolares sul-africanas lotam Knysna e Plettenberg Bay e encarecem a hospedagem.

Ao contrário do Kruger, a Garden Route fica fora das áreas de transmissão de malária listadas pelo CDC. Isso faz da região, e do Addo no extremo leste, uma opção para famílias com crianças pequenas que preferem evitar remédios preventivos.

Addo: safári no fim da estrada

O Parque Nacional Addo Elephant, a cerca de uma hora de Gqeberha, tem os cinco grandes e é a forma mais simples de incluir um safári sem ir ao Kruger. A taxa diária para adulto estrangeiro é de R492 até 31 de outubro de 2026 e passa a R565 em 1º de novembro de 2026, segundo a SANParks (via ATTA). Veja como aumentar as chances de ver os Big Five.

Antes de pegar a estrada

  • Mão inglesa: dirige-se pela esquerda. Leve a Permissão Internacional para Dirigir (PID), porque a CNH brasileira não é emitida em inglês.
  • Devolução em outra cidade: pegar o carro na Cidade do Cabo e devolver em George ou Gqeberha costuma ter taxa extra.
  • Estrada à noite: evite dirigir depois de escurecer, por causa de animais e pedestres na pista e trechos sem iluminação.
  • Entrada no país: brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias na África do Sul, segundo o Department of Home Affairs.

Para o início da viagem, veja o guia da Cidade do Cabo.

Fontes