O mesmo julho que deixa as trilhas do Kruger secas e os animais fáceis de achar faz Luxor, no Egito, passar dos 41 °C de média máxima. E o abril que enche as Cataratas Vitória até a névoa esconder a queda é o mês mais chuvoso da costa do Quênia. A África cruza a linha do Equador e os dois trópicos, e por isso a pergunta "qual a melhor época para ir à África?" só tem resposta quando vem acompanhada do nome da região.

Para o brasileiro há uma pista útil: o sul do continente tem as estações na mesma época que o Brasil, com inverno seco entre junho e agosto. O norte da África tem estações invertidas, como a Europa. E a faixa equatorial, do Quênia a Ruanda, funciona com duas épocas de chuva por ano.

Calendário rápido

RegiãoMeses mais procuradosO que pesa contra no resto do ano
Quênia e Tanzânia (safári)julho a outubro; janeiro e fevereirochuvas mais fortes de março a maio
África do Sul, Botswana, Zimbábue (safári)junho a setembroverão quente e úmido, com mato alto
Cataratas Vitóriamarço a junho para ver volume; setembro a dezembro para ver a garganta e fazer atividades de rio baixonévoa forte no pico de abril; fluxo mínimo em novembro
Marrocos e Egitooutubro a abrilcalor extremo de junho a agosto no interior
Maurício, Madagascar, Moçambiquemaio a outubrotemporada de ciclones de novembro a abril
Seychellesano tododezembro a abril é a fase mais quente e úmida
Ruanda e Uganda (gorilas)junho a setembro; dezembro a fevereirotrilhas mais enlameadas nos meses de chuva

A tabela resume tendências. Clima muda de ano para ano, e cada destino tem microclimas próprios, que os posts específicos detalham.

Leste africano: duas chuvas por ano

No Quênia e na Tanzânia, o ano tem uma estação de chuvas mais longa e forte, de março a maio, e outra mais curta, por volta de outubro e novembro. Em Mombaça, na costa queniana, maio é o mês mais chuvoso, com média de 246 mm, e fevereiro é o mais seco. Nairóbi, a quase 1.800 metros de altitude, varia de 9 °C a 27 °C ao longo do ano, com noites frias de junho a agosto.

Para o safári, o calendário que mais importa é o da Grande Migração. As travessias do rio Mara costumam acontecer entre julho e setembro, e os nascimentos dos gnus nas planícies do sul do Serengeti se concentram entre janeiro e março. O detalhe de onde ficar em cada mês está no guia da Grande Migração.

O Kilimanjaro segue a mesma lógica: as janelas mais secas vão de janeiro a meados de março e de junho a outubro.

Sul da África: o inverno é a alta temporada

No Kruger, a estação chuvosa vai de setembro a maio, com a maior parte da chuva no verão, e junho, julho e agosto são os meses com menos chuva, com cerca de 10 mm cada em Skukuza. No verão, as máximas médias passam de 33 °C. No inverno, o mato baixo e a falta de água espalhada fazem os animais se concentrarem perto dos rios e açudes, o que facilita os avistamentos, como explica o guia do Kruger.

O verão sul-africano não é época perdida. É a paisagem mais verde do ano e é alta temporada na Cidade do Cabo, que tem clima mediterrâneo, com chuva concentrada no inverno.

Na costa do Cabo, de junho até o início de dezembro, as baleias-francas-austrais podem ser vistas das falésias de Hermanus, no litoral a leste da Cidade do Cabo. A cidade faz seu festival das baleias no fim de setembro.

Cataratas Vitória: cheia ou seca?

O rio Zambeze tem cheia de fevereiro a maio, com pico em abril, quando a névoa pode subir mais de 400 metros e encharcar quem caminha pelas trilhas. O fluxo mínimo acontece em novembro, com cerca de um décimo do volume de abril, e de setembro a janeiro até metade da parede rochosa pode ficar exposta.

As duas épocas têm atrativos diferentes. Na cheia, o espetáculo é o volume; na seca, dá para ver a garganta e fazer atividades que dependem do rio baixo, descritas no post sobre bungee jump, Devil's Pool e rafting.

Norte da África: fuja do pico do verão

Marrocos e Egito estão no hemisfério norte, com verão de junho a setembro. Em Marraquexe, a média das máximas em julho é de 37,7 °C; em janeiro, cai para 19,1 °C, com mínimas perto de 6 °C. Em Luxor, a diferença é ainda maior: 41,4 °C de máxima média em julho e 22,8 °C em janeiro.

Por isso, a alta temporada desses países coincide com o nosso verão e o fim do ano. O deserto do Saara é frio à noite no inverno, um detalhe que muda a mala de quem vai dormir num acampamento, como mostra o roteiro de Marrocos em 10 dias.

Ilhas do Índico: atenção aos ciclones

No sudoeste do Oceano Índico, a temporada de ciclones vai de novembro a abril, com início mediano em 17 de novembro e fim mediano em 20 de abril, segundo os registros reunidos pela Wikipédia a partir do centro meteorológico regional de Reunião. Madagascar, Maurício, Reunião, Comores e Moçambique estão na rota dessas tempestades.

As Seychelles são exceção: a maior parte das ilhas fica fora do cinturão de ciclones. Lá, a temperatura em Mahé varia pouco, de 24 °C a 30 °C. De dezembro a abril o tempo é quente e úmido; de maio a novembro sopram os alísios de sudeste, o período considerado mais confortável. As praias de cada ilha estão no guia das Seychelles.

Florestas equatoriais: chuva o ano todo

Em Ruanda e Uganda, o trekking de gorilas acontece o ano inteiro. As temporadas mais secas, de junho a setembro e de dezembro a fevereiro, deixam as trilhas menos escorregadias e são as mais disputadas, o que exige comprar o permit com bastante antecedência. Os detalhes de preço e reserva estão no guia de trekking de gorilas.

Mais a oeste, na Bacia do Congo, não existe estação realmente seca, só meses menos chuvosos, que variam de um lado e de outro do Equador.

Fontes