Na entrada do Museu do Apartheid, cada visitante recebe um ingresso que o classifica, ao acaso, como "branco" ou "não branco", e cada grupo entra por uma porta diferente. São poucos metros até os caminhos se juntarem, mas o efeito é imediato. Joanesburgo tem vários lugares assim, que transformam a história recente do país em algo que se vê e se percorre, e é por eles que muitos brasileiros decidem passar pelo menos um dia na cidade antes ou depois do safári.

A cidade nasceu em 1886, com a descoberta de ouro no Witwatersrand, e cresceu sobre as minas. Soweto, sigla de South Western Townships, surgiu a sudoeste como área destinada à população negra sob as leis de segregação. Os dois lados da cidade contam a mesma história de pontos de vista diferentes.

Museu do Apartheid

Inaugurado em novembro de 2001, o museu fica no sul de Joanesburgo, ao lado do complexo de Gold Reef City, mas é uma atração separada do parque de diversões. A exposição percorre a legislação racial, as remoções forçadas, a resistência armada, os anos de Mandela na prisão e a transição de 1994, com muito material em vídeo e fotografia.

Segundo o site oficial, desde 1º de maio de 2026 o ingresso para adulto estrangeiro custa R240, com audioguia incluído (o mesmo valor vale para visitantes de países da SADC). Sul-africanos pagam R170. A visita guiada sai por R260. O museu abre de terça a domingo e na maioria dos feriados, das 9h às 17h, e fecha às segundas.

O próprio museu recomenda reservar ao menos duas horas e informa que o conteúdo não é adequado para menores de 11 anos, por causa das imagens fortes. Na prática, muita gente sai precisando de mais tempo.

Museu do Apartheid, em Joanesburgo

Foto: TrudiJ / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Soweto: Orlando West e o 16 de junho

Em 16 de junho de 1976, milhares de estudantes de Soweto saíram às ruas contra o decreto de 1974 que impunha o africâner como língua de ensino nas escolas negras. A polícia abriu fogo. As estimativas mais citadas falam em cerca de 176 mortos naquele dia, embora o número oficial inicial do governo fosse 23, segundo a Wikipédia.

Hector Pieterson tinha 12 anos quando foi baleado. A foto de Sam Nzima, que mostra o menino carregado por Mbuyisa Makhubo enquanto a irmã, Antoinette, corre ao lado, virou símbolo da luta contra o apartheid. Hoje o 16 de junho é feriado nacional na África do Sul, o Dia da Juventude.

O Memorial e Museu Hector Pieterson fica em Orlando West, a poucas quadras do local onde ele foi atingido. O espaço reconstrói o dia hora a hora, com depoimentos e imagens da época. Fotografar dentro do museu não é permitido, mas o memorial do lado de fora pode ser fotografado. Os horários publicados variam entre as fontes, por isso confirme antes de ir.

Vilakazi Street

A poucos minutos a pé do museu fica a Vilakazi Street, a rua de Soweto onde moraram dois ganhadores do Nobel da Paz: Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu. A casa de Mandela, uma construção simples de tijolos, virou museu e guarda objetos da família e marcas de tiros nas paredes externas.

A rua tem restaurantes e bares com mesas na calçada e costuma ficar cheia de grupos turísticos no meio do dia. Para uma visão de Soweto além da Vilakazi, os passeios de bicicleta e a pé conduzidos por moradores mostram bairros como Kliptown, onde foi adotada a Carta da Liberdade em 1955.

Constitution Hill

No centro de Joanesburgo, Constitution Hill reúne o antigo Forte e as prisões onde ficaram presos Mandela e Mahatma Gandhi, entre muitos outros, e, ao lado, o Tribunal Constitucional da África do Sul. As visitas guiadas passam pelas celas da antiga prisão Number Four, reservada a presos negros, e depois pelo tribunal, construído em parte com tijolos da prisão demolida.

É um bom complemento ao Museu do Apartheid: o museu explica o sistema, e Constitution Hill mostra o que veio no lugar dele.

Como montar um ou dois dias

TempoSugestão
1 diaManhã no Museu do Apartheid, tarde em Soweto (Hector Pieterson e Vilakazi Street)
2 diasDia 1 como acima; dia 2 com Constitution Hill e o centro, ou o Berço da Humanidade

O Museu do Apartheid e Soweto ficam no sul da cidade, perto um do outro, o que permite juntar os dois no mesmo dia. Às segundas-feiras o Museu do Apartheid está fechado, então organize o roteiro em outro dia da semana.

O Berço da Humanidade, Patrimônio Mundial da UNESCO a cerca de uma hora a noroeste, reúne as cavernas de Sterkfontein, onde foram encontrados alguns dos fósseis de hominídeos mais antigos da região, e o centro de visitantes Maropeng. Vale para quem tem um dia extra e interesse em paleontologia.

Deslocamentos e segurança

Joanesburgo é uma cidade espalhada e sem transporte público prático para turistas, com exceção do Gautrain, trem que liga o aeroporto O.R. Tambo a Sandton e Pretória. Para o resto, o mais comum é usar aplicativo de transporte ou contratar um passeio com motorista e guia, que também resolve a visita a Soweto.

Os cuidados são parecidos com os de uma grande cidade brasileira: não andar a pé à noite em áreas vazias, não deixar objetos à vista no carro e evitar exibir celular e câmera na rua. Veja mais em segurança na África: mitos e cuidados.

Onde Joanesburgo entra na viagem

Para o brasileiro, Joanesburgo costuma ser a porta de entrada: em 2026 há voos diretos de São Paulo operados pela South African Airways e pela LATAM, e brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias. Da cidade saem os voos e as estradas para o Parque Kruger e as conexões para as Cataratas Vitória.

Para ampliar o contexto histórico, leia sobre as independências africanas no século 20 e veja como a cidade se encaixa no roteiro de 14 dias pela África do Sul.

Fontes