Quem pergunta "quando ir para ver a migração" normalmente está perguntando outra coisa: onde se hospedar. As manadas estão no ecossistema Serengeti-Mara o ano inteiro; o que muda é a região. Um acampamento em Seronera em agosto ou em Kogatende em fevereiro deixa o viajante longe da ação, mesmo no "mês certo".
O Parque Nacional do Serengeti, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1981, tem cerca de 14.750 km². Pela estimativa citada pela Wikipédia, cerca de 1,5 milhão de gnus, 250 mil zebras e 400 a 500 mil gazelas-de-thomson participam do ciclo. Contagens do instituto tanzaniano de pesquisa de fauna (TAWIRI) chegaram a números menores, em torno de 1,3 milhão de gnus, o que mostra que qualquer número redondo é aproximação.
O calendário, área por área
O roteiro abaixo é a média de muitos anos. A chuva adianta ou atrasa tudo em semanas, e as manadas se dividem em grupos que podem estar a dezenas de quilômetros uns dos outros.
| Meses | Onde as manadas costumam estar | Base de hospedagem |
|---|---|---|
| Dezembro a março | Planícies do sul, área de Ndutu | Ndutu, sul do Serengeti |
| Abril e maio | Centro, a caminho do oeste | Seronera, Moru |
| Maio e junho | Corredor oeste, rio Grumeti | Grumeti, Kirawira |
| Julho a setembro | Norte, rio Mara | Kogatende, Lamai, Masai Mara |
| Outubro e novembro | Volta pelo leste e centro | Lobo, Seronera |
Dezembro a março: o parto em Ndutu
Com as chuvas curtas, as manadas descem para as planícies de capim baixo do sul, onde o solo de origem vulcânica produz pasto rico em minerais. O pico dos nascimentos costuma cair em fevereiro, quando operadores relatam até 8 mil filhotes por dia numa janela de duas a três semanas. Esse número aparece em publicações de turismo, não em estudos científicos, e deve ser lido como estimativa.
Para o viajante, é a época de predadores: leões, hienas e guepardos se concentram em volta das manadas. Um detalhe que pesa no orçamento é que boa parte da área de Ndutu fica dentro da Área de Conservação de Ngorongoro, e não do parque, o que significa pagar as taxas da NCAA. É fácil combinar com a Cratera de Ngorongoro, que fica no caminho.

Foto: Daniel Rosengren / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Abril a junho: chuva longa e corredor oeste
Abril e maio são os meses da chuva longa. Muitos acampamentos sazonais fecham, as estradas de terra ficam difíceis e os preços caem. As manadas passam pelo centro, perto de Seronera, e seguem para o corredor oeste, a faixa do parque que acompanha os rios Grumeti e Mbalageti em direção ao lago Vitória.
Em junho acontecem as travessias do rio Grumeti. São menos espetaculares que as do Mara: o rio é mais estreito e em muitos trechos vira uma sequência de poços. Em compensação, o rio tem grandes crocodilos-do-nilo e a região recebe bem menos veículos que o norte.
Julho a setembro: o rio Mara
As travessias mais conhecidas acontecem no norte, onde o rio Mara corre perto da fronteira com o Quênia. No lado tanzaniano, as bases são Kogatende e a área de Lamai, a oeste do rio. No lado queniano, a Reserva Nacional do Masai Mara e as conservancies vizinhas, como descrito em Quênia clássico em uma semana.
Agosto costuma ser o pico. Mas a travessia não é um evento único: os grupos atravessam e voltam várias vezes, em pontos diferentes, e podem passar dias parados na margem sem entrar na água. Ver uma travessia completa exige ficar perto do rio por pelo menos três noites e aceitar horas de espera dentro do carro.
Outubro e novembro: o retorno
As manadas descem pelo leste, pela região de Lobo e pela borda de Loliondo, até voltar ao sul em dezembro. Com as chuvas curtas de novembro, o capim rebrota rápido, a poeira baixa e a ocupação dos acampamentos cai. É uma janela boa para quem quer o Serengeti com menos gente, sabendo que a localização das manadas fica menos previsível.

Foto: Giles Laurent / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Seronera: o plano B do ano inteiro
O vale de Seronera, no centro do parque, tem rios permanentes e populações residentes de leões, leopardos e guepardos. Não depende da migração, e é por isso que tantos roteiros curtos passam por ali. Também abriga a pista de pouso mais movimentada do Serengeti. Quem tem só dois dias no parque, fora da época de Ndutu, costuma ver mais predadores em Seronera do que perseguindo manadas pelo norte.
Tanzânia ou Quênia para ver as travessias?
O rio Mara forma o mesmo cenário dos dois lados da fronteira, mas a experiência muda:
- Masai Mara (Quênia): a reserva tem cerca de 1.500 km², fica a algumas horas de carro ou a um voo curto de Nairóbi, e concentra muitos veículos nos pontos de travessia em agosto. Desde 2024 o condado de Narok cobra US$ 200 por dia de adulto não residente entre julho e dezembro, e US$ 100 entre janeiro e junho, com ingresso válido por 12 horas, segundo o jornal Nation.
- Norte do Serengeti (Tanzânia): mais isolado e com menos acampamentos, chega-se quase sempre em voo até a pista de Kogatende. Em 2026 a taxa de entrada do Serengeti para adulto estrangeiro está em US$ 82,60 na alta temporada e US$ 70,80 na baixa, já com 18% de IVA, segundo tabela da TANAPA reproduzida por operadoras, mais a taxa de concessão por noite de quem dorme dentro do parque.
Muitas viagens combinam os dois países, mas cruzar a fronteira dentro do ecossistema não é possível: o posto de Bologonja, entre os parques, está fechado ao turismo há décadas. A ligação é feita por voos via Arusha e Nairóbi ou pelo posto de Isebania, mais a oeste.
Acampamento fixo, sazonal ou móvel
Os lodges fixos ficam onde estão, o que funciona em Seronera mas é arriscado na migração. Os acampamentos sazonais mudam de lugar duas vezes por ano, de Ndutu para o norte e de volta, acompanhando a média do ciclo. Os acampamentos móveis montados por operadores podem se deslocar com mais frequência e são a opção mais cara. Para quem tem quatro ou mais noites, dividir a estadia entre duas bases (por exemplo, Seronera e Kogatende em julho) é o jeito mais simples de reduzir o risco.
Respeito na margem do rio
Em agosto, dezenas de veículos podem se alinhar no mesmo ponto do rio Mara. A aglomeração na beira bloqueia rotas de descida dos animais e pode adiar a travessia. Dirigir fora das trilhas é proibido na reserva, e bons guias deixam livre a área de descida e de subida dos animais, mesmo quando outros carros avançam. Vale perguntar ao operador como ele trabalha nesses pontos antes de reservar.
Perguntas frequentes
Quantos dias preciso para ver uma travessia do Mara?
Não há garantia em nenhum prazo. Com três a quatro noites perto do rio, entre julho e setembro, as chances são boas, porque se somam vários dias de espera. Em duas noites, a travessia depende de sorte.
Dá para ver a migração em janeiro?
Sim, mas não haverá travessia de rio. Janeiro e fevereiro são a época do parto nas planícies de Ndutu, com manadas concentradas e muita ação de predadores.
Preciso de visto e vacina?
Brasileiros precisam de visto para a Tanzânia (e-Visa de US$ 50) e de ETA para o Quênia (a partir de US$ 30, no site oficial). Os dois países exigem o certificado de febre amarela de quem chega do Brasil. Veja vistos para a África e o roteiro de Tanzânia em 12 dias.
Fontes
- Wikipedia - Serengeti National Park
- The Citizen - Just how many wildebeest are there in Serengeti?
- Duma Explorer - Mapping the Wildebeest Migration
- Duma Explorer - How much are park fees in Tanzania? (atualizado em mar. 2026)
- Nation - Wildebeest migration season kicks off in Maasai Mara
- Business Daily - Maasai Mara visitors drop as tourists favour Amboseli, Tanzania
- Kenya eTA - Perguntas frequentes (site oficial)





