A Avenida dos Baobás é bem menor do que as fotos sugerem. São 260 metros da estrada de terra RN8, entre Morondava e Belon'i Tsiribihina, na região de Menabe, no oeste de Madagascar, ladeados por 20 a 25 baobás-de-grandidier de cerca de 30 m de altura. Outros 25 baobás da mesma espécie estão espalhados por arrozais e pastos ao redor, numa área de 4 hectares. É pouco espaço para tanta fama, e é justamente isso que faz a cena funcionar: troncos lisos e retos, copas pequenas no alto e quase nada mais na paisagem.

Por que as árvores estão sozinhas

Os baobás não nasceram num campo aberto. A região era coberta por floresta seca, que foi derrubada ao longo do tempo para dar lugar a lavouras e pastagens. Os baobás foram poupados, em parte pela utilidade e pelo respeito que a população local tem por eles, e ficaram isolados na planície. Hoje, as maiores ameaças listadas para o local são novo desmatamento, a água das plantações de arroz que avançam sobre as raízes e as queimadas.

Em julho de 2007, a avenida recebeu proteção provisória, como passo para virar o primeiro monumento natural de Madagascar, status que foi formalizado depois. A ONG malgaxe Fanamby começou um projeto de ecoturismo no local em 2014 e inaugurou estruturas de visitação em 2018. Há algumas lojas de artesanato ao lado, e o estacionamento custava 5.000 ariarys (menos de 2 dólares) em 2026.

O baobá-de-grandidier

A espécie (Adansonia grandidieri) leva o nome do naturalista francês Alfred Grandidier (1836-1921), que estudou Madagascar no século 19. Existe só no sudoeste da ilha, entre o lago Ihotry, perto de Morombe, e a região de Morondava. O tronco chega a 3 m de diâmetro e é esponjoso, capaz de armazenar água para a seca. A espécie é classificada como em perigo pela IUCN, e o maior risco é a conversão da floresta em área agrícola: em áreas degradadas quase não há árvores jovens para substituir as velhas.

Os moradores comem a polpa e as sementes do fruto, extraem óleo de cozinha das sementes e fazem corda com as fibras da casca. Madagascar tem seis espécies de baobá, das nove conhecidas no mundo, e a região de Morondava é um dos poucos lugares onde três delas convivem.

Baobá-de-grandidier, espécie exclusiva de Madagascar

Foto: Rudolphfurtado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Como visitar

A base é Morondava, cidade litorânea com aeroporto e hotéis simples e de praia. A avenida fica a uns 20 km da cidade, por estrada de terra, e a forma mais comum de ir é de táxi, carro com motorista ou passeio contratado no hotel.

O horário mais procurado é o pôr do sol, quando o sol se põe atrás das árvores e os troncos ficam contra o céu laranja. É também quando chegam todos os grupos. Quem quer a avenida mais vazia pode ir ao nascer do sol, com a luz batendo de frente nos troncos. As carroças de zebu e as pessoas que passam a pé fazem parte da cena: é uma estrada em uso, não um parque fechado.

Na estação chuvosa, aproximadamente de dezembro a março, a estrada pode ficar enlameada e o acesso a Kirindy e aos Tsingy fica difícil ou impossível. A temporada mais segura para a região é de abril a novembro.

Baobá Amoureux, a 7 km

Cerca de 7 km a noroeste da avenida fica o Baobá Amoureux, dois troncos de outra espécie, o Adansonia za, enroscados um no outro. A lenda local diz que são dois jovens de aldeias diferentes, proibidos de se casar, que foram transformados em árvore. Muitos passeios combinam os dois pontos na mesma tarde.

Floresta de Kirindy

A cerca de 50 a 60 km de Morondava, a Floresta de Kirindy é uma reserva privada de 125 km² de floresta seca, onde crescem três espécies de baobá: o grandidier, o A. rubrostipa e o A. za. É o lugar mais conhecido para ver o fossa, o maior predador de Madagascar, que se alimenta principalmente de lêmures, e o rato-saltador-gigante, espécie ameaçada que praticamente só sobrevive ali. À noite aparece o lêmure-rato-de-madame-berthe, considerado o menor primata do mundo.

Para ver os animais noturnos é preciso dormir na reserva ou perto dela e sair com guia depois do escurecer. A combinação mais comum é passar pela avenida no fim da tarde, seguir para Kirindy e voltar no dia seguinte.

Tsingy de Bemaraha, mais ao norte

Quem tem mais dias costuma seguir pela RN8 até Belon'i Tsiribihina e depois até o Parque Nacional Tsingy de Bemaraha, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1990, com suas formações de calcário em lâminas. O trajeto é longo, em estrada de terra, inclui travessia de balsa e só funciona na estação seca. Na prática, o circuito Morondava, Avenida dos Baobás, Kirindy e Tsingy leva de quatro a seis dias.

Chegando a Morondava e o que resolver antes

  • Avião: há voos domésticos de Antananarivo para Morondava, com horários que mudam bastante. Confirme na reserva.
  • Estrada: de Antananarivo, a viagem por terra passa por Antsirabe e leva um dia inteiro ou mais, numa estrada longa e cansativa.
  • Visto: brasileiros precisam de visto. O e-visa é pedido no portal oficial evisamada-mg.com e, desde 16 de fevereiro de 2026, custa 30 euros para até 15 dias e 35 euros para até 30 dias, segundo o VisasNews. Mais orientações no guia de vistos para a África.
  • Saúde: Madagascar tem malária, inclusive na costa oeste. Leve o certificado internacional de febre amarela e veja o guia de vacinas e saúde na viagem.
  • Dinheiro: leve euros ou dólares para trocar e conte com pouca aceitação de cartão fora das cidades maiores. O guia de dinheiro na viagem ajuda.

Para fechar a viagem na praia, o caminho mais usado é voar de volta a Antananarivo e seguir para Nosy Be, no noroeste.

Fontes