O apelido malgaxe de Nosy Be é Nosy Manitra, "ilha perfumada", e o cheiro tem explicação: a ilha é uma das principais áreas de cultivo de ylang-ylang de Madagascar, a flor amarela cujo óleo essencial é usado na perfumaria. Antes dela, a economia girava em torno da cana-de-açúcar. Hoje são duas as atividades que sustentam a ilha: o ylang-ylang e o turismo.
O nome oficial quer dizer simplesmente "ilha grande". São cerca de 312 km² de origem vulcânica, a 8 km da costa noroeste de Madagascar, no Canal de Moçambique, com cerca de 109 mil habitantes no censo de 2018. É o destino turístico mais visitado do país e o único com grandes resorts com tudo incluído, o que faz dela uma porta de entrada mais fácil para quem nunca foi a Madagascar.
Hell-Ville e o interior da ilha
A cidade principal é Andoany, ainda chamada de Hell-Ville por causa do almirante francês Anne Chrétien Louis de Hell, governador da ilha Bourbon (atual Reunião) na época em que a França começou a ocupar a região, a partir de 1840. É uma cidade portuária com mercado coberto, prédios coloniais desgastados e o cais de onde saem barcos para o continente. O mercado é o lugar para comprar baunilha, pimenta e óleos.
O interior tem onze lagos de cratera vulcânica e morros de onde se vê boa parte da ilha e das ilhotas ao redor no fim da tarde. Nas estradas do interior aparecem as plantações de ylang-ylang, com árvores podadas baixas para facilitar a colheita das flores. Algumas destilarias recebem visitantes e mostram o processo de extração do óleo.
Lokobe: a floresta que sobrou
No sudeste da ilha, a Reserva de Lokobe protege a última grande área de floresta nativa de Nosy Be. É uma das cinco Reservas Naturais Integrais de Madagascar e abriga espécies minúsculas que viraram atração por si sós, como o Brookesia minima, um dos menores camaleões do mundo, e o sapo Stumpffia pygmaea. A visita costuma ser feita a partir das aldeias da costa, chegando de piroga, com guia local, e inclui caminhada pela mata para ver lêmures, camaleões e cobras não venenosas.
As ilhotas: o motivo de ficar mais dias
O que distingue Nosy Be de outras ilhas do Índico é a quantidade de passeios de barco a partir dela:
- Nosy Komba: a 3 km ao sul, é uma ilha montanhosa com cerca de 5.800 habitantes. A aldeia de Ampangorinana vive de artesanato (toalhas bordadas, entalhes em madeira) e do turismo. Os moradores protegem os lêmures-negros, que se aproximam dos visitantes. Prefira guias que não alimentam os animais.
- Nosy Tanikely: pequena reserva marinha ao sul de Nosy Komba, o melhor ponto de snorkel da região, com tartarugas, peixes de recife e corais a poucos metros da praia.
- Nosy Iranja: duas ilhas ligadas por uma faixa de areia que aparece na maré baixa, a algumas horas de barco. Tartarugas marinhas desovam ali.
- Nosy Sakatia: ao lado da costa oeste, com recifes para mergulho e tartarugas que se alimentam de ervas marinhas.

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Baleias e vida marinha
As águas ao redor de Nosy Be ficaram conhecidas na pesquisa científica pela baleia-de-omura, uma espécie de baleia rara e pouco estudada que foi observada ali de forma regular. Mergulhadores também procuram a região pelos recifes de Nosy Tanikely e pelos bancos de corais ao redor das ilhotas. Os operadores de mergulho ficam concentrados em Ambatoloaka e nas praias da costa oeste.
A cultura sakalava
O noroeste de Madagascar é território do povo sakalava, que formou reinos na costa oeste da ilha. A cultura local mistura raízes africanas e austronésias, como em todo Madagascar, e convive com uma presença forte de comunidades islamizadas e de descendentes de comerciantes indianos e comorianos, que vieram pelo comércio no Canal de Moçambique. Em locais sagrados, os chamados fady (tabus) podem proibir, por exemplo, calçados ou certas roupas; siga sempre a orientação do guia.
Clima e época
O clima é tropical, com temperaturas por volta de 30 °C durante o dia o ano inteiro. A estação de chuvas vai de outubro ou novembro ao início de maio, com chuvas mais fortes entre janeiro e março, quando também há risco de ciclones. De maio a outubro, o tempo é mais seco e o mar costuma estar melhor para passeios de barco. Mais detalhes no guia de melhor época para viajar pela África.
Como chegar e documentos
- Avião: o aeroporto de Fascene, em Nosy Be, recebe voos domésticos de Antananarivo e alguns voos internacionais regionais. Do Brasil, a rota passa por conexões como Adis Abeba, Joanesburgo ou Paris, em geral com troca de avião em Antananarivo.
- Barco: quem vem por terra do norte de Madagascar pega barco no porto de Ankify, no continente, até Hell-Ville.
- Visto: brasileiros precisam de visto. O caminho mais simples é o visto eletrônico no portal oficial evisamada-mg.com. Desde 16 de fevereiro de 2026, segundo o VisasNews, o e-visa custa 30 euros para até 15 dias, 35 euros para até 30 dias, 40 euros para até 60 dias e 50 euros para até 90 dias. Veja o guia de vistos para a África.
- Saúde: Madagascar tem malária, incluindo Nosy Be, e o certificado internacional de febre amarela costuma ser exigido de quem vem de país com risco de transmissão, como o Brasil. Confira o guia de vacinas e saúde na viagem.
Nosy Be no roteiro por Madagascar
Madagascar é grande e as estradas são lentas, então combinar regiões exige voos internos. Uma combinação possível é passar alguns dias em Nosy Be e depois voar via Antananarivo para Morondava, na costa oeste, onde fica a Avenida dos Baobás. Quem prefere comparar com outras ilhas do Índico pode ver Maurício, Seychelles e Zanzibar.





