O Cairo como cidade nasceu em 970, quando os califas fatímidas fundaram al-Qahira à margem do Nilo. As pirâmides de Gizé, que hoje aparecem no horizonte dos bairros a oeste, são uns 3.500 anos mais velhas. Visitar o Cairo é lidar com essas camadas ao mesmo tempo: o Egito faraônico em Gizé e Saqqara, o Egito cristão no Cairo copta e a cidade medieval islâmica, chamada de "cidade dos mil minaretes".

Gizé: o que o ingresso cobre

O planalto reúne a Grande Pirâmide de Quéops (Khufu), construída por volta de 2560 a.C., a de Quéfren (Khafre), um pouco menor, e a de Miquerinos (Menkaure), bem mais modesta, além da Grande Esfinge, cuja cabeça, segundo o consenso dos egiptólogos, representa Quéfren. Gizé é a parte norte do sítio "Mênfis e sua Necrópole", Patrimônio Mundial desde 1979, que se estende por 160 km² até Dahshur.

Em outubro de 2026, a tabela oficial do Ministério do Turismo e Antiguidades (egymonuments.gov.eg) indica 700 libras egípcias para o ingresso geral do planalto (adulto estrangeiro; estudante paga 350), aberto das 8h às 16h. Esse bilhete não inclui o interior das pirâmides: a Grande Pirâmide aparece na página oficial por 1.000 libras, mas guias de 2026 citam valores mais altos, então confirme na hora da compra. Quéfren, Miquerinos e a tumba de Meresankh III também são cobradas à parte. Relatos recentes indicam pagamento só com cartão na bilheteria.

Chegue na abertura. O calor e os grupos de ônibus aumentam ao longo da manhã, e os vendedores de passeio de camelo e cavalo ficam mais insistentes. Se for montar, combine preço e duração antes de subir.

O Grande Museu Egípcio

A 2 quilômetros das pirâmides, o Grande Museu Egípcio (GEM) foi inaugurado oficialmente em 1º de novembro de 2025, depois de mais de 30 anos de projeto e de várias datas adiadas. É o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização, com mais de 100 mil peças. Logo na entrada fica a estátua de Ramsés II, de 11 metros e 83 toneladas, e a Grande Escadaria, com mais de 60 peças, leva às 12 salas principais.

O destaque é a coleção completa de Tutancâmon, com 5.398 objetos em duas salas, incluindo a máscara de ouro e o trono dourado, além da segunda barca solar de Quéops, restaurada. A múmia de Tutancâmon não foi transferida: continua no túmulo, no Vale dos Reis. Na tabela divulgada pelo governo em 2024, o ingresso de estrangeiro adulto custava 1.200 libras; o valor atual está no site oficial do museu. Reserve meio dia, no mínimo. Mais detalhes no nosso guia do Grande Museu Egípcio.

Vista de Cairo às margens do rio Nilo

Foto: Faris El-Gwely / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Os outros museus: Tahrir e NMEC

O Museu Egípcio da praça Tahrir, aberto em 1902, continua com o maior acervo de antiguidades egípcias do mundo, mais de 170 mil itens, mesmo depois da saída de Tutancâmon. O prédio é mais antigo e menos didático, mas tem muito do Antigo Império e estatuária que não foi para Gizé.

As múmias reais estão em outro lugar: o Museu Nacional da Civilização Egípcia (NMEC), em Fustat, no Cairo Antigo. Em 3 de abril de 2021, 22 múmias, de 18 reis e 4 rainhas, foram levadas da Tahrir para lá num cortejo transmitido ao vivo, a Parada Dourada dos Faraós. A galeria das múmias reais é a sala mais procurada.

Saqqara: a primeira pirâmide

Ao sul da cidade, Saqqara guarda a pirâmide de degraus de Djoser, do século 27 a.C., a construção monumental de pedra mais antiga do Egito. Os egiptólogos atribuem o projeto ao vizir Imhotep, que mais tarde seria divinizado. A pirâmide reabriu ao público em março de 2020, depois de 14 anos de restauração. Em 2026, a área de Saqqara custa 600 libras para estrangeiros, e o interior da pirâmide de Djoser, mais 280; há um bilhete combinado de 1.400 libras que inclui o Museu Imhotep e várias tumbas. Dá para combinar Saqqara, Mênfis e Dahshur no mesmo dia, de carro com motorista.

O Cairo islâmico

O centro histórico medieval é Patrimônio Mundial desde 1979, descrito pela UNESCO como uma das cidades islâmicas mais antigas do mundo. A Mesquita de Al-Azhar, dedicada em 972, deu origem à universidade de mesmo nome, considerada a segunda mais antiga em funcionamento contínuo, depois da Al-Qarawiyyin de Fez.

A poucos passos fica o Khan el-Khalili, bazar que leva o nome do grande caravançará construído por volta de 1382 por Jaharkas al-Khalili, chefe dos estábulos do sultão mameluco Barquq. Hoje mistura comércio para turistas e lojas de cobre, prata e especiarias usadas pelos próprios cairotas. A leste, a Cidade dos Mortos reúne os cemitérios do norte e do sul da Cidadela, com mausoléus de sultões mamelucos; parte dos túmulos foi ocupada como moradia, embora os habitantes sejam uma fração pequena da população da área.

O Cairo copta

No Cairo Antigo, dentro e em volta da fortaleza romana da Babilônia, ficam a Igreja Suspensa (assim chamada por ter sido construída sobre um portão da fortaleza), o Museu Copta, a igreja grega de São Jorge e a sinagoga Ben Ezra. A estação de metrô Mar Girgis, da linha 1, para na porta, o que facilita combinar o bairro com o NMEC.

Como se deslocar

O metrô, inaugurado em 1987, tem três linhas e 84 estações (dados de 2024) e é o jeito mais rápido de cruzar o centro no trânsito do Cairo. Para Gizé, Saqqara e o GEM, carro com motorista ou aplicativo de transporte costuma ser mais prático. Voos domésticos e alguns internacionais também usam o Aeroporto Internacional Esfinge (SPX), no lado oeste, mais perto das pirâmides do que o aeroporto principal.

Entrada no Egito para brasileiros

Brasileiros precisam de visto. O caminho mais seguro é o e-Visa no portal oficial visa2egypt.gov.eg: em outubro de 2026, o visto de turismo custa US$ 30 para uma entrada e US$ 65 para múltiplas entradas, e o portal pede que o pedido seja feito pelo menos 7 dias antes do embarque. O passaporte precisa ter validade mínima de seis meses a partir da chegada. Há relatos de visto emitido no aeroporto, mas a regra já mudou mais de uma vez; não conte com isso. Veja também nosso guia de vistos para a África.

Para seguir viagem pelo Nilo, o roteiro Egito clássico mostra como ligar o Cairo a Luxor, Assuã e ao Mar Vermelho, e o guia do Vale dos Reis explica o que ver nos túmulos. Para o deserto ocidental, como o Deserto Branco e Siwa, veja o texto sobre o Saara.

Fontes