A primeira decisão de quem vai a Zanzibar não é a data, é o lado da ilha. A ilha principal, Unguja, tem cerca de 85 km de norte a sul, e as praias do norte e do leste funcionam de jeitos muito diferentes por causa da maré. Escolher errado significa passar a tarde olhando um lamaçal com algas onde de manhã havia mar azul.
Este guia organiza a ilha pelo que muda a viagem: maré, vento, chuva, regras de entrada e o tempo de estrada entre Stone Town e as praias.
Norte ou leste: o fator maré
Nungwi e Kendwa, na ponta norte, têm água funda perto da areia na maior parte do dia. É o lado onde dá para nadar a qualquer hora e ver o pôr do sol sobre o mar, o que explica a concentração de hotéis, bares e passeios de barco. Kendwa é mais calma; Nungwi tem a vila de pescadores, a construção artesanal de dhows (os barcos à vela tradicionais) e mais movimento à noite.
Paje, Jambiani, Bwejuu e Michamvi, na costa leste, ficam atrás de uma barreira de coral. Na maré baixa a água recua por centenas de metros e expõe bancos de areia, poças e as plantações de algas cultivadas por mulheres das vilas. Na maré alta a lagoa fica rasa e turquesa. Quem fica no leste precisa consultar a tábua de marés para planejar o banho.
Matemwe e Kiwengwa, no nordeste, ficam no meio-termo: praias longas, menos gente e acesso rápido aos barcos para Mnemba.
| Região | Ponto forte | Limitação |
|---|---|---|
| Nungwi | Mar fundo, pôr do sol, vida noturna | Mais construída e cheia |
| Kendwa | Areia larga, mar calmo | Pouco comércio fora dos hotéis |
| Paje e Jambiani | Kitesurf, vilas, preços mais variados | Maré baixa longa |
| Matemwe | Silêncio, saída para Mnemba | Maré também recua bastante |
As distâncias são curtas no mapa, mas as estradas são lentas. De Stone Town a Nungwi são cerca de 60 km e em geral mais de uma hora de carro; até Paje, cerca de 50 km pelo centro da ilha. Vale fechar o traslado com o hotel antes de pousar.
Vento, chuva e a melhor época
Zanzibar tem duas estações de chuva. A longa, chamada masika, vai de março a maio e é quando muitos hotéis do leste fecham para manutenção. A curta acontece por volta de novembro, com pancadas mais rápidas.
Os meses secos se dividem pelos ventos de monção. De junho a setembro sopra o kusi, do sul, que traz dias mais frescos e o melhor período para kitesurf em Paje. De dezembro a fevereiro sopra o kaskazi, do nordeste: é a época mais quente e de mar mais transparente no lado norte, e também a mais cara por causa das festas de fim de ano. Para quem combina praia com safári, julho a outubro coincide com a temporada seca no norte da Tanzânia, como explicamos no guia de melhor época por região.
Stone Town em um ou dois dias
A cidade antiga de Zanzibar é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2000. O núcleo histórico cabe em uma caminhada, mas as vielas se repetem e se perdem com facilidade, por isso um guia local ajuda na primeira manhã.

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Os pontos que organizam o roteiro:
- Forte Antigo (Ngome Kongwe): fortificação omanense do século 17, hoje centro cultural com lojas e apresentações, e uma das sedes do Festival Internacional de Cinema de Zanzibar.
- Casa das Maravilhas (Beit al-Ajaib): palácio de 1883, o primeiro prédio da ilha com eletricidade. Parte da estrutura desabou em dezembro de 2020, durante uma reforma, e o prédio segue em restauração.
- Jardins de Forodhani: em frente ao forte, viram mercado de comida de rua ao entardecer, com frutos do mar grelhados e a "pizza de Zanzibar", uma massa recheada e dobrada na chapa.
- Catedral da Igreja de Cristo: construída a partir de 1873 sobre o terreno do maior mercado de escravizados da ilha. O altar fica, segundo a tradição local, onde estava o poste de açoite. Ao lado há um museu sobre o tráfico e o monumento com figuras acorrentadas dentro de um fosso, a visita mais importante da cidade.
- Portas entalhadas: as de estilo omanense são retangulares; as de estilo indiano têm topo arredondado e, muitas vezes, cravos de latão. Os entalhes trazem versos do Corão e flores de lótus.
Stone Town também é a cidade natal de Freddie Mercury, nascido ali em 1946 como Farrokh Bulsara, filho de uma família parse. A família deixou a ilha após a revolução de 1964, que derrubou o sultão poucas semanas depois da independência. Meses depois, Zanzibar se uniu ao Tanganica para formar a Tanzânia, mas mantém até hoje presidente e parlamento próprios.
Ilhas e passeios de barco
Mnemba, a nordeste, é uma ilhota privada cercada por uma área marinha protegida, o principal ponto de mergulho e snorkel de Zanzibar, com tartarugas e golfinhos-rotadores. Desde setembro de 2025, segundo o jornal The Citizen, estrangeiros pagam US$ 25 por adulto na área especial de Mnemba e US$ 10 por dia nas demais áreas marinhas de conservação, como a de Menai Bay, no sudoeste. O barco sai normalmente de Matemwe ou Nungwi.
Changuu (Prison Island), a 5,6 km de Stone Town, tem uma história mais curiosa que o nome sugere. A cadeia construída pelos britânicos em 1893 e 1894 nunca recebeu presos; o local virou estação de quarentena, sobretudo contra a febre amarela. Em 1919, o governador britânico das Seychelles enviou quatro tartarugas-gigantes-de-aldabra, origem da colônia que os visitantes veem hoje.
Jozani e as fazendas de especiarias
O Parque Nacional Jozani-Chwaka Bay, criado em 2004 com cerca de 50 km², é o único parque nacional da ilha e o refúgio do colobo-vermelho-de-zanzibar, macaco que não existe em nenhum outro lugar. A visita guiada combina trechos de floresta e de manguezal à beira da baía de Chwaka.

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Os spice tours acontecem em pequenas propriedades no interior, a poucos quilômetros de Stone Town. Cravo, canela, noz-moscada, pimenta e baunilha aparecem no pé, e a explicação ajuda a entender por que o sultanato de Omã transferiu sua capital para Zanzibar no século 19. Jozani fica no caminho entre Stone Town e as praias do leste, o que permite encaixar a visita no dia do traslado.
Entrada, saúde e dinheiro (regras de 2026)
- Visto: brasileiros precisam de visto para a Tanzânia, que inclui Zanzibar. O e-Visa de entrada única custa US$ 50 e é solicitado no portal oficial da imigração tanzaniana; peça com algumas semanas de antecedência. Veja o passo a passo em vistos para a África.
- Seguro obrigatório de Zanzibar: desde 1º de outubro de 2024, todo visitante estrangeiro precisa comprar o seguro de entrada da Zanzibar Insurance Corporation pelo portal visitzanzibar.go.tz. Custa US$ 44 por adulto e cobre até 92 dias. Vale mesmo para quem já tem seguro-viagem do Brasil.
- Febre amarela: a Tanzânia exige o Certificado Internacional de Vacinação (CIVP) de quem chega de país com risco de transmissão, caso do Brasil, ou faz escala de mais de 12 horas em um deles. A vacina precisa ter sido tomada pelo menos 10 dias antes. Mais em vacinas e saúde na viagem.
- Malária: existe transmissão em Zanzibar, embora menor que no continente. Converse com um médico de viagem sobre prevenção.
- Dinheiro: hotéis e passeios cobram em dólar; o xelim tanzaniano resolve gastos menores. Leve notas novas e sem rasgos, que costumam ser recusadas quando estão gastas. Mais em dinheiro na viagem pela África.
Como chegar e como encaixar no roteiro
O Aeroporto Internacional Abeid Amani Karume (ZNZ) recebe voos de companhias como Qatar Airways, via Doha, e Ethiopian Airlines, via Adis Abeba, as duas com rotas a partir de São Paulo. Quem vem do safári pega voo curto de Arusha ou do Kilimanjaro, ou sai de Dar es Salaam de barco rápido, numa travessia de cerca de duas horas até Stone Town.
O desenho mais comum é terminar a viagem na ilha depois de safári no Serengeti e na Cratera de Ngorongoro. Uma divisão que funciona é uma noite em Stone Town e três a cinco no norte ou no leste, como no roteiro de Tanzânia em 12 dias.
Zanzibar é majoritariamente muçulmana. Nas vilas e em Stone Town, ombros e joelhos cobertos são o esperado, e no Ramadã comer e beber em público durante o dia fora dos hotéis é visto como desrespeito.
Fontes
- Wikipedia - Stone Town
- Wikipedia - Christ Church, Zanzibar
- Wikipedia - Changuu Island
- Wikipedia - Jozani Chwaka Bay National Park
- The Citizen - Zanzibar revises marine conservation entry fees (set. 2025)
- Embaixada da Tanzânia no Japão - seguro obrigatório para entrar em Zanzibar
- Noonsite - Zanzibar: seguro obrigatório para turistas
- Air Tanzania - exigência de febre amarela
- Mundo dos Vistos - visto de turismo para a Tanzânia





