Na tarde de 18 de janeiro, as ruas de Adis Abeba fecham para o trânsito. De cada igreja ortodoxa sai um padre carregando na cabeça um objeto envolto em tecido bordado, protegido por guarda-sóis coloridos, seguido por diáconos, cantores e milhares de fiéis vestidos de branco. É o começo do Timkat (também escrito Timket), a Epifania da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, que celebra o batismo de Jesus por João Batista no rio Jordão.

A festa entrou em 2019 na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Segundo a descrição da própria UNESCO, centenas de milhares de pessoas participam do dia principal.

As datas: 18 e 19 de janeiro

O Timkat cai no dia 11 do mês de Ter no calendário etíope, o que corresponde a 19 de janeiro no calendário gregoriano, ou a 20 de janeiro nos anos em que o calendário etíope teve um dia a mais. Em 2027, a véspera, chamada Ketera, é na segunda-feira, 18 de janeiro, e o Timkat, na terça-feira, 19.

A diferença de datas em relação ao Ocidente vem do calendário próprio do país, que também explica por que o Natal etíope é celebrado em 7 de janeiro.

O que acontece em cada etapa

Ketera, a véspera

A palavra ketera remete ao bloqueio do fluxo da água para a bênção dos fiéis. Durante a tarde, cada paróquia leva o seu tabot em procissão até o local da celebração, chamado Timkete-Bahir: um rio, um tanque ou um reservatório preparado para a festa.

O tabot é uma réplica das tábuas da Lei guardadas, segundo a tradição etíope, na Arca da Aliança. Toda igreja ortodoxa do país tem o seu, e ele normalmente fica no santuário, longe dos olhos dos fiéis. O Timkat é uma das raras ocasiões em que sai às ruas, sempre coberto por tecidos, carregado na cabeça de um padre.

A noite de vigília

Os tabots passam a noite em tendas montadas perto da água. Os fiéis ficam em orações e hinos ao longo da madrugada, e a liturgia eucarística é celebrada perto do tanque ou rio, por volta das 2h da manhã.

A bênção da água

Perto do amanhecer, os sacerdotes abençoam a água e a borrifam sobre a multidão. Muitos participantes entram na água para renovar os votos do batismo, e em alguns locais a cena vira uma corrida para chegar mais perto do tanque.

A volta para as igrejas

Por volta das 10h, cada tabot começa o caminho de volta à sua igreja. A UNESCO descreve essa volta como uma cerimônia ainda mais colorida que a da véspera, com cantos tradicionais e religiosos. Depois vêm as refeições em família, com injera e a cerimônia do café.

Fasilides Bath, em Gondar, Etiópia, palco das celebrações do Timkat

Foto: Bernard Gagnon / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Onde o Timkat é mais conhecido

Adis Abeba. O ponto principal na capital é Jan Meda, uma grande área aberta no nordeste da cidade, onde os tabots de várias paróquias se reúnem e passam a noite. É a opção mais acessível para um visitante estrangeiro, com hotéis e voos internacionais.

Gondar. A cena mais fotografada do Timkat é o Banho de Fasilides, um tanque construído no século 17 e atribuído ao imperador Fasilides, que é enchido para a festa. Ele integra o conjunto Fasil Ghebbi, Patrimônio Mundial desde 1979.

Lalibela. A cidade das igrejas escavadas na rocha também concentra peregrinos e celebra o Timkat em grande escala.

A situação de segurança em 2026-2027

Gondar e Lalibela ficam na região de Amhara. Em aviso atualizado em 16 de outubro de 2026, o governo britânico desaconselha qualquer viagem a Amhara e também à região de Tigré, onde fica Axum. A capital, Adis Abeba, não está na lista de áreas desaconselhadas, mas o mesmo aviso cita trechos de estradas e zonas próximas a evitar.

Por isso, quem planeja ver o Timkat em janeiro de 2027 deve pensar primeiro em Adis Abeba e acompanhar os alertas até a data do embarque. O guia de segurança na África explica como ler esses avisos.

Perguntas frequentes

Turista pode participar?

Sim. As procissões e a bênção da água acontecem em espaços públicos, e visitantes costumam acompanhar. Use roupas discretas, de preferência claras, cobrindo ombros e joelhos, e peça permissão antes de fotografar padres e fiéis de perto.

Preciso de visto para a Etiópia?

Sim. O pedido é feito online, no portal oficial de e-Visa da Etiópia (evisa.gov.et), e o passo a passo está no guia de vistos para a África. A Etiópia também exige o certificado de febre amarela de viajantes a partir de 9 meses, inclusive em escala, segundo o CDC.

Como chegar do Brasil?

A Ethiopian Airlines opera voo direto entre São Paulo (Guarulhos) e Adis Abeba, segundo a lista de destinos do aeroporto, o que torna a capital um destino mais simples do que parece. Veja as outras rotas em voos do Brasil para a África.

Fontes