Bazaruto é formado por areia de rio. As ilhas, diante da costa de Vilankulo e Inhassoro, na província de Inhambane, nasceram de sedimentos depositados pelo rio Save, que depois mudou de curso. O resultado é uma paisagem rara para o Índico: dunas altas cobertas de vegetação, lagos de água doce no interior das ilhas e, do lado do continente, bancos de areia que aparecem e somem com a maré.
O arquipélago tem seis ilhas. Bazaruto e Benguerra são as maiores; Magaruque, Santa Carolina (ou Ilha do Paraíso) e Bangué são bem menores. Tudo fica dentro do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, proclamado em 25 de maio de 1971.
Um parque marinho com gestão compartilhada
O parque cobre 1.430 km², a maior parte de mar. Desde dezembro de 2017, é cogerido pela organização African Parks e pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) de Moçambique. Segundo os dados reunidos sobre o parque, há ali mais de 2.000 espécies de peixes, mais de 240 de aves, seis espécies de golfinhos e as cinco espécies de tartarugas marinhas da região, que desovam nas praias.
O animal mais importante, porém, é o dugongo. Bazaruto protege a maior e única população viável desse mamífero marinho no Oceano Índico Ocidental. Em 2022, a IUCN classificou o dugongo da África Oriental como criticamente ameaçado. Ele vive das pradarias de ervas marinhas entre as ilhas e o continente, e é muito sensível a redes de pesca e ao tráfego de barcos. Ver um dugongo é possível em passeios de barco, mas nunca garantido.
As ilhas, uma a uma
- Bazaruto: a maior, com dunas altas, lagos de água doce no interior e um antigo farol no extremo norte. Tem lodges de alto padrão e comunidades de pescadores.
- Benguerra: a segunda maior, com lagoas internas e alguns dos lodges mais conhecidos do arquipélago. Fica perto do recife de Two Mile Reef, ponto clássico de mergulho e snorkel.
- Magaruque: pequena e próxima de Vilankulo, é o destino mais comum dos passeios de um dia, com snorkel no lado do recife e praia de areia branca.
- Santa Carolina (Ilha do Paraíso): cerca de 3 km por 500 m, rochosa, com canais profundos e três praias com recifes perto da margem. Teve um hotel da época colonial, hoje abandonado, que virou ponto de visita.
- Bangué: a menor das principais, raramente visitada.

Foto: Bjørn Christian Tørrissen / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Quem vive nas ilhas
Bazaruto não é uma reserva vazia. Em 2024, cerca de 6.500 pessoas viviam em sete comunidades distribuídas pelas três ilhas habitadas, e cerca de 70% das famílias dependem da pesca artesanal. O parque tenta conciliar essa pesca com a proteção das pradarias marinhas e dos recifes, por meio de zonas de uso e fiscalização. Alguns lodges contratam guias e tripulações locais e oferecem visitas às comunidades; vale perguntar como funciona antes de reservar.
Duas formas de conhecer: bate-volta ou lodge
Bate-volta a partir de Vilankulo. É a opção mais barata. Agências e operadores de barco na cidade saem de manhã em lanchas ou dhows (o barco à vela tradicional da costa) para Magaruque ou Bazaruto, com parada para snorkel e almoço na praia. A travessia depende do vento e da maré, e os passeios incluem a taxa do parque.
Dormir nas ilhas. Os lodges de Bazaruto e Benguerra são pequenos, com poucos bangalôs, e quase todos vendem pacotes com refeições e atividades. A transferência é de barco, avião pequeno ou helicóptero a partir de Vilankulo. É o jeito de ver as ilhas sem os grupos de passeio, mas o custo é de hotel de luxo.
O que fazer
- Mergulho e snorkel: Two Mile Reef, entre Benguerra e Bazaruto, e os recifes de Santa Carolina e Magaruque são os mais procurados.
- Passeio de dhow: a vela entre as ilhas, geralmente com parada em bancos de areia na maré baixa.
- Dunas e lagos: subir as dunas de Bazaruto ou Benguerra e caminhar até os lagos internos, onde há crocodilos. Só com guia.
- Baleias: baleias-jubarte passam pela costa de Moçambique no inverno austral, aproximadamente de julho a outubro.
- Pesca esportiva: é atividade tradicional na região, mas dentro do parque segue as regras de zoneamento e captura do plano de gestão. Pergunte ao operador se a saída é de pesca com soltura.
Clima e época
O clima é tropical. De maio a outubro, a estação seca, as temperaturas são mais amenas, há menos chuva e a água fica mais clara para mergulho. De novembro a abril, faz mais calor e umidade, e de janeiro a março há risco de ciclones no Canal de Moçambique. Para comparar com outras regiões, veja o guia de melhor época para viajar pela África.
Como chegar e o que o brasileiro precisa
Voo: a porta de entrada é o aeroporto de Vilankulo, com voos regionais a partir de Maputo e de Joanesburgo. Do Brasil, a ligação mais comum é via Joanesburgo. Outra opção é dirigir de Maputo pela EN1, cerca de 750 km, numa viagem longa.
Visto: Moçambique isentou de visto turistas de 29 países pelo Decreto 10/2023, mas o Brasil não está na lista. Brasileiros precisam de visto, que pode ser pedido com antecedência à Embaixada de Moçambique em Brasília ou, segundo guias de viagem, obtido na chegada em aeroportos como o de Maputo. Confirme a regra antes de viajar no guia de vistos para a África.
Saúde: Moçambique tem malária em todo o território, inclusive no litoral, e o certificado internacional de febre amarela costuma ser exigido de quem sai do Brasil. O guia de vacinas e saúde na viagem explica o que fazer antes.
Idioma e dinheiro: a língua oficial é o português, o que facilita a vida do viajante brasileiro. A moeda é o metical; em lodges e passeios, preços costumam ser em dólar ou rand.
Para combinar na mesma viagem
Bazaruto funciona bem como fim de viagem depois de um safári no Kruger, na África do Sul, com voo de Joanesburgo para Vilankulo. Quem quer comparar com outras ilhas do Índico pode ver Zanzibar e Maurício, bem mais movimentadas. E, já que está em Moçambique, prove o frango piri-piri num restaurante de Vilankulo.





